4 de março de 2010

Maria Sonhadora

Ela deita em sua cama, imaginando...
O toque do braço,
O calor da respiração,
O macio dos lábios...
E ela diz:
- Não me deixe dormir sozinha.
Imagina, imagina.
E ele diz:
- Estarei aqui pra sempre.

E na outra noite, ela volta a sua cama...
Vazia, cheia de esperança.
E imagina...
Bricadeirinhas com os lençois,
O toque dos dedinhos dos pés,
Um sorriso.
E ela diz:
- Por que você não é meu?
Imaginando, cansada.
E ele diz, novamente:
- Estarei aqui pra sempre.

De manhã ela acorda, exausta
Vazia, cheia de dor.
Ela trabalha, sozinha
E se volta para a praia, a janela...
De um escritório fechado, abrindo horizontes.
E pensa:
- Por que eu não?
Porque a tarde está quente e umida,
voltarei a dormir.

Chega em casa.
Arrasada de sonho.
Deita na cama,
e por consolo,
Assa um bolo,
grita daqueles desaforos
E no travesseiro, torce para chover lágrimas
Deita-se, elétrica
Até um pouco cética...
Mas ainda tem aquela presença
E um dia a terá na mão.

Porque ela é inocente
Ela não é escritora, doutora ou professora
É só uma mulher cansada
Cheia de vontades,
Maria sonhadora.

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