Mais um dia passa.
Mais um dia passa,
e eu continuo.
Mais um dia passa.
Mais um dia passa,
sem sorrisos.
Faça sol, faça chuva.
O meu dia foi perdido.
Faça noite, faça dia.
Lavo os pés com nojo de onde pisei.
Faça luar, que venham as nuvens.
Não quero que nada bonito me veja.
Porque fiquei tosca.
Na parada do ônibus, está chovendo em mim.
Porque nasci fria.
Na estrada, está deserto no meu coração.
Porque estou vazia.
No meu coração, perdi todos os meus sons.
Pelo amor,
eu estive passando sufocos.
Estive morrendo afogada.
Salvando todos,
esquecendo de mim.
O amor,
que nunca veio
que nunca foi embora.
Que me deixou nua, na cama.
No frio, em um grande deserto.
Escrevo, pois.
Estou vazia.
E meu branco nunca será a mistura de todas as cores.
E meu branco nunca será a paz que vem do meu coração.
E meu branco nunca será o sentido que minha vida espera tomar.
E mesmo esse meu branco pode me abandonar.
Calado,
meu passado.
Gritando,
meu presente.
Desesperado,
meu futuro
Que toma rumo na noite de vento,
que leva meu mundo,
que carrega uma cruz nas costas,
que segue sem andar,
que anda sem nada seguir.
E não cresci.
Não quero crescer,
e não crescerei.
Não alcanço o céu.
Mesmo ele balançando meus cabelos todos os dias.
E não vejo reflexo na água,
Negra como minha amarga circunstancia de humana.
Suja como meu ouro perdido.
Meus dias perdidos.
Que passam despercebidos.
Por mim.
Por mim eu não seria eu.
Mas um dia passa,
mas um dia passa.
E eu continuarei.
Mas um dia passa,
mas um dia passa.
E eu irei, finalmente...
Sorrir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário