29 de julho de 2008

That's what I want.

Essa não era a vida que ela pensava em ter. Seus pensamentos contrários a sociedade, sua paixão pelo regresso. A vida era fácil. Ela queria que fosse curta. Ela queria que fosse a mais difícil. Esse era seu motivo, sua razão. Sua dor e felicidade estremas. Falava inglês, espanhol, francês e alemão. Naturalmente magra, alta e dos olhos claros. Um tanto bonita demais para ser franca. Seus longos cabelos ruivos e ondulados moldando seu lindo rosto arredondado, e fazendo seus olhos borbulharem as suas expressões de amargura. Ela vai na escola todos os dias, ouve lições de moral. Assiste o telejornal e vê os desastres. Não se abala. Bem que queria. Mas sabe que nada vai mudar, sua vida seguirá. E de um jeito ou de outro, se acostumará a não sofrer... A não viver.
Ela sabe que terá tempo perdido. Ela sabe que levará o pesadelo consigo. Ela sabe que será um inimigo. E ela não dá a mínima. Ela não dá nada. Espalha o mau pela sua cabecinha. Ainda não pôde fazer-lo por sua cidadezinha; mas um dia vai. Ela espera inteligentemente. Ela, que nem pode ser considerada humana. Por sua força sobrenatural contra o real. Com sua idéia totalmente errada do "sentir", "ser" ou "crer". Bem, no nosso conceito humanitário. Ela veio de outro planeta. Ela quer mostrar sua cultura. Ela quer ser ela mesma. Ela espera. Aguarda com razão. Aguarda por vontade.
Ela escreve seus poemas da morte em guardanapos de bar. Esconde-os dentro do bolso para ninguém os encontrar. A escuridão de seu olhar. Ninguém pode lhe tocar.

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